Há pouco mais de um ano, no início de nossa operações no d’hire, sabíamos de todas as dificuldades que enfrentaríamos. O país em uma de suas piores crises, taxa de desemprego altíssima, desânimo instalado nos potenciais investidores, projetos engavetados. O mercado de recrutamento então, esquece! Todos nós deste segmento, seja uma empresa global ou o pequeno/médio empreendedor, sofremos na veia qualquer instabilidade econômica. Mas foi aí que enxergamos uma grande oportunidade. E foi também aí que, além de ter um bom plano de negócios embaixo do braço e energia para fazer acontecer, fez toda a diferença também termos uma visão otimista de mundo.

Lembro que em setembro do ano passado, embebidos de entusiasmo por estarmos sendo bem recebidos pelo primeiros RH’s com quem conversávamos sobre nosso modelo inovador na caça por talentos, fizemos uma campanha de apresentação do nosso negócio via mailing para milhares de pessoas. Era algo muito novo, éramos o primeiro Marketplace de recrutamento no país. A economia compartilhada chegava ao nosso setor e obviamente havia um plano de comunicação gradativo para o mercado. Na ocasião desta campanha, recebemos respostas de toda natureza: recrutadores especializados super animados pois finalmente poderiam fazer parte de uma comunidade no Brasil, profissionais de Talent Acquisition curiosos sobre o que de fato éramos, profissionais em busca de uma nova oportunidade (em nossa plataforma também há o usuário candidato), enfim, veio de tudo. Mas uma mensagem parou a nossa empresa por alguns minutos. Tamanha era a nossa motivação com o que estávamos criando, que uma pessoa especificamente se incomodou com isso e nos respondeu (literalmente): “Parem de mentir, o mercado está uma merda.”Essa frase nunca saiu da minha cabeça. Ele acertou em 50% do que disse, o mercado estava ruim realmente. Mas motivação, entusiasmo empreendedor e crença no que vai dar certo jamais pode ser confundido com mentira. Em minha visão, é um clássico caso de diferença sutil entre otimismo e pessimismo. Sutil mas que determina o sucesso ou insucesso na jornada da vida, não só na esfera profissional. Vai além da visão do mundo dos negócios. Não se aprende na academia ou nas experiências empresariais. É mind-set.

Pesquisamos quem era o remetente da mensagem e rapidamente descobrimos que ele era de um de nossos grandes e respeitados concorrentes. Junto com nossa área de relacionamento com cliente (lembrando que em nosso negócio enxergamos como “clientes” os três usuários da cadeia de valor: empresas, recrutadores e profissionais em busca de um novo desafio), pensamos no que fazer. Poderíamos ter muitas reações, mas essencialmente vimos como um presente, uma grande oportunidade na verdade. Assim como o pessimismo contagia, otimismo também, por isso por que não tentar demovê-lo daquele sentimento que no fim do dia só alimenta uma atmosfera ruim? A decisão sobre o que fazer foi rápida: escrevemos uma carta o convidando para um café, dizendo que o entendíamos, mas que apenas pensando positivamente e juntos (embora concorrentes), mudaríamos o ânimo do mercado. Junto com a carta, enviamos também um champanhe para o escritório dele, com a prerrogativa de celebrarmos a chance que temos todos os dias de fazer diferente, apesar de todas as dificuldades. Estas existem sim, mas ter a crença inviolável de que sempre é possível ultrapassá-las não é mentir, e sim acreditar que trabalho duro sempre traz coisas boas e recompensadoras. O café com nosso interlocutor nunca rolou porque ele nunca nos respondeu, mas muito aconteceu desde lá para nós.

Hoje, um ano depois, iniciamos uma nova jornada em um novo escritório. Estamos crescendo aos pouquinhos, com clientes importantes dos mais diferentes segmentos e portes. Recrutadores estão descobrindo que fazer parte de uma comunidade jamais existente antes, na qual se desenvolvem como profissionais e ainda podem trabalhar para diferentes empresas estando sentados em qualquer parte do mundo, é algo realmente excitante (temos recrutadores por exemplo em Estocolmo, Londres, Lisboa, etc). Estamos mostrando a que viemos, e isto nos dá um grande orgulho. Faremos muitas coisas bacanas neste novo espaço, nele receberemos nossos clientes e também fortaleceremos o sentimento de comunidade nos recrutadores do nosso ecossistema, os engajando e suportando seus desenvolvimentos profissionais cada vez mais e mais. Isto também é um compromisso nosso.

Somos ousados o suficiente para acreditar num mercado de recrutamento cada vez mais inovador e eficaz, mas também humildes para reconhecer que ainda vamos errar bastante, mas sempre honestamente, indo sempre na bola. E quando ocorrer este erro, nos comprometemos a reconhecê-lo rapidamente e corrigi-lo, sempre seguindo em frente.

Pode ser uma simples terça-feira para muitos, para nós é mais um passo dado rumo a um futuro que nunca vai ter fim. Sonhar grande e sonhar pequeno dão o mesmo trabalho, então pra quê ser pessimista? É muito melhor passar por mentiroso do que desistir de um sonho, isso podemos dizer de carteirinha.

Join The Hunt and Play The Game. Vamos d’hire.

Rafael Meneses
Cofundador do d’hire

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